top of page
Buscar

Inteligência Artificial na Auditoria de Obras Públicas: o que muda para quem fiscaliza

  • Foto do escritor: Ibraeng
    Ibraeng
  • 5 de jul.
  • 2 min de leitura

A auditoria de engenharia está diante de uma mudança de paradigma. Por décadas, o trabalho de auditores e fiscais foi essencialmente retrospectivo: analisar o que já aconteceu em uma obra, verificar contratos, medições e conformidade depois da execução. Com o avanço da inteligência artificial, essa lógica começa a mudar — e o IBRAENG acompanha de perto esse debate, que ganhou força após a publicação do relatório The State of Artificial Intelligence in Public Audit, da OCDE, em 2026.

De reativo para preditivo

O relatório mapeou o uso de IA em instituições de controle de diversos países e identificou aplicações como detecção de anomalias, avaliação de risco, classificação de casos e modelos preditivos de falhas. Na prática, isso significa que órgãos de controle e equipes de auditoria já conseguem, hoje, identificar sinais de risco em uma obra antes que o problema se concretize — atrasos recorrentes, padrões de aditivos contratuais, indicadores que se repetem em obras que depois viraram passivo público.

Para quem trabalha com fiscalização de obras, isso é uma virada de chave: a pergunta deixa de ser só "o que deu errado nessa obra?" e passa a incluir "que sinais dessa obra já indicavam que algo poderia dar errado — e estávamos olhando para eles?"

IA não substitui o auditor — mas muda o padrão de diligência esperado

É importante marcar um ponto: nenhum estudo sério defende que algoritmos substituam o julgamento técnico do engenheiro auditor. A tecnologia depende de dados confiáveis, times capacitados e supervisão humana constante — sem isso, ela apenas processa a desorganização existente em maior escala, sem corrigi-la.

Mas há uma consequência prática que já bate à porta de tribunais de contas e órgãos de controle: quando existem ferramentas capazes de cruzar dados e identificar padrões de risco, a justificativa de "não tínhamos como saber" perde força. O padrão de diligência esperado de uma auditoria de engenharia tende a subir.

O que isso significa na prática para auditores e fiscais

  • Priorização de auditorias: em vez de amostragem aleatória, focar recursos escassos nas obras com maior sinal de risco.

  • Leitura de padrões, não só de casos isolados: um mesmo tipo de aditivo contratual repetido em vários municípios pode indicar uma falha sistêmica de planejamento, não um problema pontual.

  • Documentação e explicabilidade: qualquer critério apoiado por IA precisa ser auditável e justificável — inclusive perante o próprio controle externo.

  • BIM como aliado: a metodologia BIM (Building Information Modeling), cada vez mais discutida em eventos como o ENAOP, se conecta diretamente a esse movimento, permitindo cruzar dados de projeto, execução e fiscalização de forma integrada.

O papel do IBRAENG nesse cenário

Acompanhar essas transformações é parte do compromisso do IBRAENG com o desenvolvimento técnico da auditoria de engenharia no Brasil. Mais do que adotar novas ferramentas, o desafio é construir metodologia, capacitação e governança para que a tecnologia realmente amplie a capacidade de prevenir falhas — e não apenas produza uma nova camada de burocracia automatizada.

Nos próximos posts, vamos aprofundar temas como BIM aplicado à fiscalização e as principais irregularidades que órgãos de controle têm identificado em obras públicas no Brasil.

Este artigo foi inspirado na discussão trazida pelo relatório da OCDE "The State of Artificial Intelligence in Public Audit" (2026) e no debate publicado em Migalhas.

 
 
 

Comentários


bottom of page